Fazer da palavra encontro
Saks Hahne, Beatriz
Resumo:
Na medida socioeducativa, o menino é chamado a falar em uma cena composta por alguém que lhe dirige perguntas cujas respostas são antecipadas, e a expectativa sobre o que deve ser dito cria um repertório para quem fala e para seu escutador. Aquele que interroga o menino compõe a cena, também construindo o relato que se elabora, e assim, quem fala o faz em meio a um tempo e contexto que autorizam a exposição de certas ideias, falando para alguém que o escuta a partir de certa intencionalidade. Esse sistema decide as qualidades que deve ter o menino que fala e o lugar que ocupa ao definir “os gestos, os comportamentos, as circunstâncias, e todo o conjunto de signos que deve acompanhar o discurso; fixa[ndo], enfim, a eficácia suposta ou imposta das palavras” (Foucault, 2014, p. 37).
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DOI: 10.5151/9786555502763-03
Referências bibliográficas
- ABRAMOVAY, P. V. O grande encarceramento como produto da ideologia (neo)liberal. In: ABRAMOVAY, P. V.; BATISTA, V. M. (Org.). Depois do grande encarceramento, seminário. Rio de Janeiro: Revan, 2010.
- AGAMBEN, G. Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua I. Belo Horizonte: Autêntica, UFMG, 2010.
- AGAMBEN, G. Nudez. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.
Como citar:
SAKS HAHNE, Beatriz; "Fazer da palavra encontro", p. 54-71. No interior da medida socioeducativa: itinerários narrativos e encontro como resistência. São Paulo: Blucher, 2026.
ISBN: 9786555502763, DOI 10.5151/9786555502763-03