A medida, os meninos

Saks Hahne, Beatriz

Resumo:

Estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, as medidas socioeducativas foram concebidas para responsabilizar adolescentes entre 12 e 18 anos de idade que cometeram ações consideradas ilícitas. Em sua idealização, devem ser acompanhados para a (e na) construção de outras decisões em suas trajetórias. A virada, em que outras experiências podem ganhar relevo em suas biografias, está associada à vivência de seus direitos sociais em uma largueza de possibilidades, reconhecendo a prerrogativa à cidadania de meninos para os quais historicamente têm sido furtados os horizontes que os faz querer caminhar. Entretanto, a experiência viva de quem chega à medida mostra o desencontro entre a lei e a vida, e que “seria hipocrisia ou ingenuidade acreditar que a lei é feita para todo mundo em nome de todo mundo; que é mais prudente reconhecer que ela é feita para alguns e se aplica a outros” (Foucault, 2010c, p. 261).

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DOI: 10.5151/9786555502763-02

Referências bibliográficas
  • ABRAMOVAY, P. V. O grande encarceramento como produto da ideologia (neo)liberal. In: ABRAMOVAY, P. V.; BATISTA, V. M. (Org.). Depois do grande encarceramento, seminário. Rio de Janeiro: Revan, 2010.
  • AGAMBEN, G. Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua I. Belo Horizonte: Autêntica, UFMG, 2010.
  • AGAMBEN, G. Nudez. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.
Como citar:

SAKS HAHNE, Beatriz; "A medida, os meninos", p. 32-53. No interior da medida socioeducativa: itinerários narrativos e encontro como resistência. São Paulo: Blucher, 2026.
ISBN: 9786555502763, DOI 10.5151/9786555502763-02