Lugares de Godot
REYES, Paulo
Resumo:
O ato de esperar não resigna: ele é apaixonado pelo êxito em lugar do fracasso. A espera, colocada acima do ato de temer, não é passiva como este, tampouco está trancafiada em um nada. O afeto da espera sai de si mesmo, ampliando as pessoas, em vez de estreitá-las: ele nem consegue saber o bastante sobre o que interiormente as faz dirigirem-se para um alvo, ou sobre o que exteriormente pode ser aliado a elas. A ação desse afeto requer pessoas que se lancem ativamente naquilo que vai se tornando e do qual elas próprias fazem parte (BLOCH, 13:2005). Ao dar início a esta escrita, tomo as palavras de Ernst Bloch para afirmar que projetar o território em uma perspectiva socialmente responsável é pensá-lo em uma perspectiva de espera, de esperança em um sonho comum, naquilo que nos é comum, mesmo que ainda-não-seja-consciente. Este texto posiciona a espera como um ato político que carrega em si uma função utópica necessária ao processo de projeto. O processo de projeto é a possibilidade de preparar essa espera que, neste texto, é metaforizado pela espera de Godot em Samuel Beckett.
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DOI: 10.5151/9788580392661-27
Referências bibliográficas
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Como citar:
REYES, Paulo; "Lugares de Godot", p. 349-358. Ecovisões projetuais: pesquisas em design e sustentabilidade no Brasil: pesquisas em design e sustentabilidade no Brasil. São Paulo: Blucher, 2017.
ISBN: 9788580392661, DOI 10.5151/9788580392661-27